24 abril 2012

Roteiro Trapista (2, 3 e 4/7)


Demoramos tanto pra atualizar nossa busca pelas 7 cervejarias trapistas que vamos encavalar 3 num só post: Achel, Westmalle e Orval.


2- Achel           

Bom, Achel já fomos há um tempão, quando o Renato e a Débora estiveram aqui, setembro passado. No post sobre a La Trappe, não sei se notaram, mas lá escrevi que aquela é a única trapista que fica totalmente na Holanda. Sim, porque a Achel fica exatamente sobre a fronteira da Holanda e da Bélgica, aliás, exatamente no ponto onde a Bélgica é mais próxima daqui de casa: exatos 18km. Engraçado, em São Paulo, morava perto do Aeroporto e trabalhava na Marginal Tietê, 22km de distância. Aqui, menos que isso, estamos em outro país.
A Bélgica é logo ali...

Voltando, essa localização da Sint Benedictus Abdij (Achel é a cidade onde fica a Abadia) traz uma história interessante. A produção de cerveja lá remonta ao século XVII, mas a Abadia foi destruída na época da Revolução Francesa. No século XIX, monges de Westmalle reconstruíram a Abadia e em 1852 retomaram a produção cervejeira. Em 1871, tornou-se uma Abadia Trapista, com produção regular.

Os fundos da Abadia, que não está aberta a visitação

A parte interessante foi em 1914, durante a 1ª Guerra Mundial. Os alemães invadiram o mosteiro, durante a ocupação da Bélgica. Porém, não foi feito saque dos suprimentos, uma vez que os monges colocaram tudo do lado holandês da Abadia. A Holanda era neutra na Guerra e diz a lenda que os soldados alemães respeitaram a neutralidade. Mas, uma parte importante da estrutura não podia ser movida: os tanques de fermentação. Dessa forma, em 1917, os alemães levaram embora cerca de 700kg de cobre dos tanques, que virariam armas e munições germânicas.
A entrada da loja

Após a Guerra, o mosteiro retomou as atividades, mas não voltou a fabricar cerveja até 1998, quando contaram novamente com a ajuda de monges vindos de Westmalle e Rochefort para retomarem a produção. Dessa forma, em 2001, a caçula das trapistas chegou ao mercado.

Hoje, a Abadia produz dois tipos básicos de cerveja: a Blonde e a Bruin (em holandês, lê-se Brown, igual inglês), uma clara, outra escura, ambas com 8o. Uma versão draft das duas é feita e vendida no bar da Abadia, essas com 5o. Ambas são as clássicas cervejas tipo Abadia, no caso, Dubbel (Bruin) e Tripel (Blonde), que são os tipos que você mais verá por aqui. A Dubbel é uma cerveja de dupla fermentação, a mais tradicional. A Tripel tem mais adição de lúpulo e é mais frutada. Outra versão especial é a Blonde Extra, que é a Tripel, mas com 9,5o e só em garrafa de 750ml.
Um dos salões do café, não exatamente cheio.

Sobre a Abadia, em si, temos um bar bem amplo, mas longe de ser o que esperamos de uma cervejaria. Por incrível que pareça, as estrelas lá parecem ser os doces e tortas feitas pelos monges e que acabam sendo devoradas com singelos chás e cafés pela terceira idade que lá vai em peso. Mas, claro que vale a pena parar pra experimentar as versões “van der vat”, ou seja, na pressão. Como disse, são mais fracas e podem ser acompanhadas por uma pequena variedade de acepipes como pão com queijo, pão com presunto e os onipresentes bitterballen, bolinhos de carne, que são a sugestão.

A Abadia é também um popular destino pra quem quer passear de bicicleta pelo campo, com paisagens bem bonitas em volta. Talvez por isso o pessoal pare tanto pra um docinho.
Roteiro pra passear pelos arredores

Mas, a grande estrela é a lojinha da Abadia. Parece um mercadinho do interior, inclusive na entrada, você vê sabão em pó, amaciante, essas coisas. Depois, vê vários produtos trapistas de vários cantos, como geléias, queijos e vinhos. Aí sim, depois vem um grande mercado de cerveja. Cervejas belgas de vários cantos, que nada ficam a dever às grandes lojas de Bruxelas, Antuérpia ou Bruges. Uma seleção bem grande, com preços muito bons e, inclusive, uma boa variedade de copos está à venda.
O Lodjinha...

Também há uma hospedaria aberta a visitantes, mas não pense que você vai se hospedar lá pra ficar cachaçando. É uma abadia, caramba! O pessoal se hospeda lá pra rezar e meditar com os monges, não pra fazer orgias cervejísticas.


3- Westmalle

Junto com Rochefort é a mais tradicional cervejaria trapista e a mais influente. Foi em Westmalle que se definiu o tipo de cerveja Dubbel, que é considerada a Trapista clássica, no ano de 1856. Muitas das cervejarias trapistas contaram com consultorias de monges de Westmalle para montar suas próprias cervejas.

Oficialmente chamada de Abdij Onze-Lieve-Vrouw van het Heilig Hart van Jezus (Abadia de Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus), fica próxima a Antuérpia, na cidade de – adivinhem? – Westmalle que, aliás, fica a oeste de Malle. Sério. Mas, infelizmente não há muito o que ver lá. A abadia é fechada à visitação e apenas sobra o Café Trappisten, que fica do outro lado da estrada. O Café, em si, não tem nada de mais. É um restaurantão cheio de mesas que contava com uma média de idade pra lá de avançada. Esses velhinhos... sempre atrás de uma cervejinha!
 Marcando presença

Não tem lojinha propriamente dita, apenas alguns produtos em cima do balcão que você pode chegar lá e comprar. Além de cerveja e copos, alguns livros e especialidades trapistas (geléias, biscoitinhos,...). A não ser que você tenha muito tempo ou tenha feito promessa de conhecer todas as cervejarias trapistas, infelizmente, não recomendamos a visita.
 O Café Trappisten, pronto pro Natal

Sobre as cervejas, temos aqui os mesmos tipos da Achel, claramente de influência Westmallense: Dubbel (escura) e Tripel (clara).



4- Orval

Se Achel fica na fronteira da Bélgica com a Holanda, Orval fica bem na fronteira da Bélgica com a França. E é das mais antigas. As primeiras comunidades monásticas datam de 1070 na região, quando nem Portugal existia, e a primeira igreja é fundada em 1124. Durante os séculos, Orval foi destruída e reconstruída algumas vezes. Em 1252 foi destruída pelo fogo e refeita 100 anos depois. Durante a Guerra dos Trinta Anos, Orval é novamente posta abaixo, no ano de 1637. No século XVII é reconstruída e vira uma comunidade Trapista. Por fim, durante a Revolução Francesa, por conta de terem dado guarida a tropas austríacas, o pessoal queimou tudo novamente, em 1793.
 Como era a Abadia antes dos franceses arrebentarem tudo

O bacana dessa história toda é que a catedral que existia antes da guilhotinagem, está lá, em ruínas. E são ruínas fantásticas, dá pra visitar tudo, passando por uns jardins com estátuas e até um museu que conta a história da abadia. Também tem uma sala com um filme sobre a cervejaria em exibição, mas estávamos sem tempo para ele, pois passamos lá voltando da França e era tarde.
A Abadia nova e as ruínas da antiga Catedral

Esta história de reconstruções é que levou, em 1931, a Abadia a montar sua cervejaria, pois estava atrás de fundos para continuar as obras. Apesar de haver registros de produção de cerveja no local desde o século XVI, tudo foi destruído pelas tropas francesas.
Mais ruínas

Orval vale uma visita, pois é um lugar lindíssimo, mesmo pra quem não está nem aí pra cervejas. Pena que é um lugar fora de mão, longe das rotas turísticas, o que dificulta pra quem tem pouco tempo de Bélgica. 
Agora, ruínas com neve!

Também falta  um café ou um bar pra completar a experiência. Pra  relaxar tomando um produto da abadia local, tem que se valer de algum dos pequenos bares na vila de Orval, próximos à Abadia. Ao menos, há uma lojinha que vende cervejas, copos, queijos, chás e outros produtos trapistas.
A entrada do museu... creepy...

Os monges de lá só fabricam uma variedade de cerveja, a típica Abadia, mais amarga e com mais lúpulo que suas irmãs. Tirando as Westvleteren, que só provei uma e uma vez, é minha favorita entre as trapistas. Mas, gosto é que nem bunda, cada um tem a sua, certo?
 That's all Folks!!!

Seguimos em busca das três restantes: Rochefort, Chimay e Westvleteren!

22 fevereiro 2012

ICE AGE


Voltamos da HIBERNAÇÃO!!! Quem não esteve isolado em uma caverna no último mês viu que a Europa passou por uma mega onda de frio. Também, pudera, antes dela estava fazendo um “calor” de 5, 7, 10 graus que não é nem um pouco normal. Foi apenas o segundo Natal da história que Eindhoven registrou temperatura de dois dígitos. White Christmas, só nas vitrines das lojas.
 Demorou pra mudar a paisagem.

Agora que as coisas estão voltando ao normal, como foi nossa experiência naquilo que a maioria dos brazucas teme na Europa, o Inverno?


Ice Age 1 – The Big Freeze

A verdade é que perdemos parte do grande frio que tomou conta do continente. Embarcamos pro Brasil exatamente um dia antes da chegada da massa polar e escapamos por pouco de ficar preso nos trens ou aeroportos holandeses. Mas, voltamos a tempo de encarar a friaca e, olha só, já tínhamos marcado, sem saber, 5 dias em uma estação de esqui na França. Se está no Inverno, abraça o boneco de neve...
Modelito preparado pro Esqui...

Mesmo a Holanda sendo desprovida de montanhas, praticamos esqui indoor aqui em Eindhoven pra treinar. É bem louco: uma esteira de uns 5m X 5m de tamanho, feita com um carpete bem alto e molhado pra simular a neve. Liga a esteira e você fica lá, fingindo que está nos Alpes. Pra aprender e treinar, é excelente.

Mas, era hora da verdade e fomos levar nossas recém compradas botas de esqui pra conhecer a neve. A localidade escolhida foi Geràrdmer, uma cidadezinha francesa, na beira de um lago, na cadeia de montanha dos Vosges. Nem é tão alta, a cidade está a 666m de altitude, a estação de esqui a 850m e o topo da montanha, a 1110m. Saímos pro sul vendo uma estrada muito diferente da que nos acostumamos, com neve pra todos os lados, tomando os pastos e plantações. Depois de um Natal decepcionante, a certeza que o Inverno chegara.
Subindo...

 Preparando pra descer...

Em Geràrdmer desembarcamos às 21h, com os termômetros marcando -11oC. Nos dias seguintes, pegamos, na rua ou na estação temperaturas de -15oC e talvez menos. À noite, baixava pra até -23oC. Pior era ver a “sensação térmica”, que batia em -27oC, por causa do vento. Aí, a primeira questão: não é tudo igual, pegar -15oC ou 0oC? Não é frio igual? Então... nem ferrando! A diferença é gigante.
 Protegidos contra o frio

Primeiro que aquele esqueminha de 3 camadas que explicamos no post da Aurora Boreal, não rola. Precisa de mais camadas, de uma sobrepele mais quentinha e de um casacão porreta. Mesmo na perna, chegamos a encarar 3 camadas. O que aumenta também é a sensação de “queimar” a pele com o vento, pior ainda esquiando, com o vento batendo. Nesse caso, não dava pra deixar um cantinho de pele exposto. O tempo que você consegue ficar na rua cai bastante e entrar numa loja ou bar a cada 20 ou 30 minutos, no máximo, é essencial. O calor do corpo parece que vai embora instantaneamente.
Recuperando o calor perdido...

A cidade é um pico turístico de inverno e verão, então tem muito hotel e restaurantes a preços bem bacanas. Mas, é curioso que o forte dos turistas é francês mesmo, no máximo, alemão. Não vimos quase nada fora disso por lá. Inclusive, no final de semana a cidade dobrou de tamanho; é um destino popular para quem não está em férias levar a molecada pra brincar na neve. Sim, é uma estação bastante família, inclusive ver crianças de colo e mesmo pequenas forradas de casacos se divertindo é estranho pra quem cresceu num país tropical onde os pais tem receio de levar filhos pro frio. Aqui, a molecada enfrenta o frio como qualquer um, se não fosse assim também, ficariam em casa.

Outra coisa boa que vem com o frio são as paisagens: lagos congelados, montanhas nevadas,... segue uma amostra do que vimos por lá.

 Por do Sol na Estação de esqui.

 O lago de Geràrdmer

  Mais de perto, congelado...

Ainda bem que avisaram....

  Juro que não fui eu que tentou ver a força do gelo.

 Na beira do lago

  Arte no córrego congelado

  Tunelzinho na Estrada.

 Quase feio....



                                                                                                                                                                                                                                                        
Ice Age 2 – Back to Home

Chegamos em casa a tempo de curtir uns diazinho de frio e ver Eindhoven nevada. Nenhuma grande neve, até porque, quando a temperatura cai demais fica mais difícil nevar, pois a umidade do ar também despenca. Como uma boa cidade holandesa, Eindhoven tem muitos lagos e canais e tudo congelou com esse frio polar que fez. E os parques ficaram lotados, com famílias e mais famílias se esbaldando no gelo.
Guardaram espaço pros patos.

Tivemos que comprar uns patins, mas quase não conseguimos, pois parecia que furacões haviam passado pelas lojas, com a holandesada arrebatando tudo que tivesse uma lâmina na sola. Pior ainda que calçamos números comuns: 37 e 44 (equivalente ao 35 e 42 brasileiros) e nossos tamanhos foram os primeiros a sumir. Mas, missão cumprida e partimos pros lagos. Primeira coisa estranha: fomos ao HTC, onde fica a Philips, e tem um lagão enorme; chegando lá não sabíamos por onde entrar pois tem grade. Mas, bem, a grade pára na beira do lago, então simplesmente andamos por sobre as águas e varamos a segurança. Tá, pode parecer bobo, mas é bizarro pra quem vem dos trópicos.
Geral do lago gelado

Espere também encontrar tudo quanto é coisa sobre o gelo, desde os tradicionais trenós onde os pais puxam seus pimpolhos, a cadeiras que crianças se divertem empurrando umas às outras e até carrinhos de bebês, onde mães patinam empurrando futuros esquimós.

A neve que atrapalha um pouco, pois ela se acumula sobre o gelo e não é muito deslizável. Pra isso, o pessoal leva aquelas pás de neves e ficam de lá pra cá, limpando o gelo. Além das trilhas, abrem um espaços maiores pra brincarem de hóquei.
Meeeedo... hehehe...

Uma expectativa que o país todo viveu nesses dias foi a realização da Elfstedentocht, a Corrida das Onze Cidades. Acontece na Frísia, nortão da Holanda quando lagos e canais congelam formando um circuito natural de 200km entre essas cidades. É bem difícil de ocorrer, tanto que a última versão da corrida foi em 1997 e apenas 15 ocorreram desde que começou em 1909. O maior período sem a corrida foi de 22 anos, entre 1963 e 1985. Além de congelar tudo, os organizadores exigem que haja uma camada de 15cm de gelo, pra agüentar os estimados 16.000 patinadores. Pra dar uma idéia, pra liberarem um laguinho pra nós mortais patinarmos, exigem apenas uns 8 a 10cm de gelo. Pra chegar a 15cm, precisa não apenas fazer um frio enorme, como fez, mas precisa que dure um bom tempo, o que não rolou.
Andando sobre as águas.

Esperavam que pudesse ocorrer a corrida no dia 11/02, mas 3 dias antes a organização veio a público dizer que alguns pontos do circuito, na parte sul, não haviam atingido a grossura de gelo ideal. Houve quem sugerisse que o gelo fosse reforçado artificialmente – seja lá como fazem isso – especialmente sob pontes, onde ele é mais frágil. Também sugeriram desvios construídos por terra, desviando das zonas de gelo mais frágil. Mas, os organizadores nem quiseram saber, consideraram uma heresia. O jeito é esperar por 2013, pois dizem que o país inteiro pára pra ir lá assistir.
Treinando pra 2013!


Ice Age 3 – The Meltdown

Pena que pouco durou. Uma semana depois de voltarmos a Eindhoven e com apenas um final de semana pra nos divertirmos, a neve e o gelo foram embora. A temperatura ficou positiva, deixando as ruas perigosas, pois chove, mas com a coisa perto do 0oC, a água congela-se formando uma camada fina de gelo sobre ruas e calçadas. Também já não temos esperança de voltar a patinar outdoor antes do próximo inverno, pois as temperaturas já estão novamente atingindo os dois dígitos.
 Só no inverno que vem...

Foi um inverno engraçado, pois começou muito quente, fez 4 semanas de um frio absurdo – sendo que 2 delas estivemos no Brasil –  e voltou a ficar “quente”. Acabamos aproveitando pouco as coisas boas do inverno; não só não deu tempo de começar a chamar neve de merda branca, como ficou gostinho de “quero mais”, como turista que volta de Bariloche.

Agora, é esperar pela Primavera e pelas tulipas... 

22 novembro 2011

GLOW Eindhoven

Eindhoven tem uma ligação muito grande com a luz elétrica. Digamos que só é o que é por causa da lâmpada. Em 1891, era uma cidadezinha com cerca de 7 mil habitantes, quando foi fundada a primeira fábrica da Philips na cidade, destinada a fabricar lâmpadas elétricas. Em poucos anos, multiplicou de tamanho várias vezes pra se tornar um dos principais pólos tecnológicos do norte da Europa.

Nada mais natural que haver aqui um festival dedicado à luz! Todo ano realiza-se o Glow Eindhoven (http://www.gloweindhoven.nl/) onde dezenas de obras são espalhadas pela cidade, todas feitas com luzes em projeções. Hordas de turistas da região com suas câmeras e tripés invadem a cidade para observar essas obras, gratuitamente.

Seguem as fotos e até um vídeo do que vimos na noite fria de Eindhoven. Enjoy!

Cúpula de luz na frente da estação de trem, ponto de partida do Glow.

Reflexo no prédio da Estação Central de Eindhoven

Estátua de Anton Philips, dentro da Cúpula

Detalhes de como a Cúpula foi feita

Estrutura na Praça Central com desenhos feitos pelas crianças de Eindhoven

Projeção no prédio da Prefeitura

Ainda no prédio da Prefeitura

Prédio do Van Abbe Museum, simulava uma árvore

Os contornos em escuro eram pintados na parede e ele era colorido por luzes de diversas formas e cores.

Túnel sob a linha do trem, com ultravioleta pra iluminar os corações...

Um dos prédios da Universidade de Tecnologia de Eindhoven (TU/e). Era "pintado" em várias cores.

Mais uma obra no meio da Universidade.

Esse era bem legal. Nessa caixa, uma Bobina de Tesla produzia raios e cada raio fazia um som diferente. Assim, dava pra tocar música com os raios. No vídeo abaixo, você vai entender.

Pena que perdi a hora que tocou a música do Star Wars.

É isso... Eindhoven também tem suas atrações!!!


16 novembro 2011

As Luzes do Norte

FAQ da expedição do AGente Laranja para conferir a  Aurora Boreal, aquilo que os ingleses chamam de Northern Lights:


1- O que é essa bagaça?

- Sem entrar em maiores detalhes técnicos, pois nenhum de nós é botânico, é o choque de partículas de vento solar com o campo magnético da Terra. Como nos pólos este campo está mais próximo do solo, coincidindo com a ionosfera, o choque de partículas causa os efeitos óticos. Normalmente vem em formas de arcos ou de cortinas e a cor mais comum é o verde. Se a tempestade solar for forte o suficiente, teremos tons de rosa e vermelho. Dependendo da concentração maior de nitrogênio, pode-se observá-la em violeta e azul, sendo essa última cor, a mais rara de todas.

 Vimos quase tudo em verde e um pouco de rosa, às vezes.

2- O que precisa para poder observar a Aurora?

- Precisa haver uma conjunção de 3 fatores óbvios:
Primeira coisa, precisa estar escuro, quanto mais, melhor, de forma que sempre é bom fugir das luzes da cidade.
Segundo, o céu precisa estar limpo; o fenômeno ocorre a cerca de 80km de altitude, bem acima das nuvens.
Terceiro, claro, ela precisa ocorrer... dããã. Sua previsão é muito difícil, mas 2 a 3 dias após uma intensa atividade solar é uma boa chance.

 Até tinha uma cidadezinha no fundo, mas tudo bem...

3- Então, qual é a melhor época do ano?

- Ao contrário de certas informações por aí, a Aurora ocorre o ano todo. O problema é que abril e agosto, o céu fica muito claro nas altas latitudes por causa do Sol da meia noite, impossibilitando a observação da Aurora. Por outro lado, entre dezembro e janeiro, o frio intenso e o acúmulo de neve atrapalham as expedições que vão caçar a Aurora. Assim, os meses mais recomendados são outubro, novembro, fevereiro e março. Em Tromso, a “temporada” começa em meados de setembro.


4- Como assim, expedições pra caçar a Aurora? Precisa?

- Como vimos, dependemos um pouco da sorte pra observar a Aurora. Em dias de atividade mais intensa, você pode ver do centro da cidade ou pegar um ônibus qualquer para uma região mais isolada e ver. Mas, contratar um Guia aumenta suas chances. O que contratamos chegou a rodar, no primeiro dia, mais de 150km em direção à fronteira com a Finlândia atrás de céus limpos e de melhores condições de observação. Se já gastou uma boa grana pra chegar lá, não vá economizar com isso!

 Fronteira com a Finlândia, perto do fim do mundo.

5- Quer dizer que corro o risco de não ver?

- Sim, como dizem que o índice de acerto de um bom guia é na casa dos 60%, nos meses mais recomendados, sugerimos que não fique um dia só por lá.

Já pensou chegar lá e perder isso?

6- E a friaca?

- É forte! Tromso ainda que fica no litoral e tem um clima um pouco mais ameno (para o padrão esquimó), devido à Corrente do Golfo. Mas, como dissemos, você pode ter que ir bem pro interior, de forma que a temperatura pode baixar 9oC nessa viagem, como foi nosso caso. Saímos de Tromso com 3oC e paramos na fronteira com a Finlândia, a -6oC. Isso porque ainda era começo de primavera.

Essa hora estava -6oC

7- E como faz pra agüentar?

- Pra agüentar um frio desses ao relento, você tem que brincar de cebola e se vestir em camadas. Cada camada de roupa tem uma função e pode ser mais reforçada dependendo do frio e do tempo que você ficará exposto a ele – no nosso caso, quase 2 horas.
A primeira camada é a chamada sobrepele, aquela antiga ceroula do vovô em materiais mais modernos: calça e camisa de manga comprida que servem pra absorver a umidade do corpo. No frio, seu inimigo número 1 é a umidade, seja externa (chuva, neve) ou interna (suor).
A segunda camada é a isolante, tem por objetivo manter o máximo possível o calor corporal ali , no lugar dele. Normalmente usa-se casacos de Polar ou Fleece, que tem um ótimo isolamento, dado seu volume e peso. Lã também serve, mas é mais trambolho na bagagem.
A terceira camada é o que vai te proteger do vento (o inimigo número 2) e da umidade externa. Calça e casaco devem ser 100% impermeáveis, embora devam permitir que o suor saia. Não se preocupe, tem disso nas melhores lojas do ramo, como a Decathlon. Calça jeans pode ser a morte num ambiente desses.

Uma fogueirinha também ajuda...

Por fim, os acessórios:
                Gorro: lembre-se que boa parte do calor do corpo sai pela cabeça.
                Cachecol ou pescoceira: seu nariz e queixo agradecem.
                Bota impermeável também, com meia que elimine o suor. Lembre-se que quando estiver um bom tempo no frio, o primeiro lugar que o bicho vai pegar é nos pés e mão, pois o corpo passará a mandar menos sangue pra lá.
                Luvas: uma dica é usar dois pares, uma luva fina de seda ou Merino, que quebra um galho pra quando você precisa das mãos pra mexer, por exemplo na sua câmera, sem congelar tudo. O outro par vai por cima e é daquelas luvas de ski, impermeáveis.

Em último caso, converse com o guia pra ver se ele não tem daqueles macacões de neve, que podem te salvar.



8- Bacanas essas fotos, como que tira uma dessas?

- Claro que as regulagens vão variar de caso pra caso, de máquina pra máquina, de lente pra lente. Se tiver mais de uma lente, procure a que dá maior abertura, ninguém precisa de zoom aqui. O ISO vai ficar na casa dos 800 a 1600. Já a obturação tem que ser bem prolongada, entre uns 3 a 8 segundos, dependendo do caso. Portanto, o uso de tripé é obrigatório! Enfim, pode pedir umas dicas pro guia, mas o que vale é gastar o dedo e testar as melhores regulagens.



9- Mas precisa de uma puta máquina pra isso?

- Nem tanto. Ela precisa ter controle de abertura, da obturação e do ISO. Qualquer DSLR tem isso, a maioria das chamadas Bridges, senão todas, e as tops das point and shoots. Aquela câmera que faz tudo e você só aperta o botão, não serve, tem que ter um mínimo de regulagens pra brincar. Mas, quem sabe a sua não tem e você que não sabe?

Dica 1: no frio, as baterias descarregam mais rápido. Leve uma bateria reserva e mantenha-a dentro do seu casaco, aquecida.
Dica 2: aprenda a mexer nas regulagens da câmera de olhos fechados. Sério, no breu não dá pra ficar procurando botãozinho.
Dica 3: nem se preocupe em enxergar a foto que você está tirando, não vai ver nada antes dela sair.



10- E lá na hora é assim como está nas fotos?

- Não. Como dissemos, você deixa a obturação (em outras palavras, a entrada de luz ou o tempo que demora o clic) aberta vários segundos, de forma que a máquina capta muito mais luz que o olho humano Ou seja, as luzes nas fotos são mais intensas. Pra comparar, veja que dá pra distinguir bem a paisagem, mas no começo do post falamos que estávamos no breu total. Curioso que, quando o guia percebia uma pequena claridade, bem fraca, no céu, pra saber se já era a Aurora, ele tirava uma foto.

 Parece dia, mas estava um breu.

11- Então, é só tirar foto que é mais legal?

- Nem ferrando! Na foto, você perde a definição, embora tenha mais intensidade. Nas fotos, aquilo que sai como um borrão tem, na verdade, contornos bem definidos e que “dança” no céu, como faixas ou cortinas tremulando ao vento. Além de perder definição e movimento, muitas vezes a Aurora cruza o céu de um lado a outro e isso não se pega na câmera. O ideal é curtir os dois e saber tirar um tempo pra sentar numa pedra e simplesmente babar um pouco.

Dá pra ver que os contornos não tem tanta definição. Ao vivo, tem.

12- E dura muito tempo?

- Impossível dizer. Ela aparece em diferentes focos no céu; pode ficar uns 10 segundos lá ou mais de uma hora, não tem um padrão. O negócio é estar atento 360 graus, ao começar um novo foco, presta atenção. Também, durante a noite, pode ter vários focos num mesmo momento e, em seguida, ficar uma hora sem aparecer nada. Mesmo assim, o melhor horário pra observação é das 21h à 1h da matina.

Se não tiver Aurora Boreal, a Lua também dá seu show.