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13 julho 2011

Um Pouco de Eindhoven

Este tempo todo aqui e quase nada falamos da nossa cidade, né? Bom, então, vamos falar um pouco de Eindhoven. Localizada na província de Noord Brabant (Brabante do Norte), o primeiro registro da cidade data de 1232, quando ganhou o registro oficial do duque de Brabante (pra quem interessar, o Sul de Brabante é na Bélgica). Viveu muito tempo do comércio de têxteis e tabacos, como entreposto comercial e feira regional.
Uma visão de como era a Eindhoven medieval, banhada pelo Rio Dommel

Podemos considerar que a segunda fundação da cidade se deu em 1891, quando os irmãos Gerard e Anton Philips montaram uma fábrica de lâmpadas. Eindhoven era uma vila que não devia ter 5.000 habitantes e multiplicou sua população por 20 em 40 anos. Hoje, tem cerca de 210.000 habitantes (mais ou menos do tamanho de Jacareí) e cerca de 750.000 na, digamos assim, "região metropolitana". Mesmo assim, é a 5a maior cidade do país e a maior fora do chamado Randstad, a grande conurbação do noroeste holandês que engloba Amsterdam, Rotterdam, Haia e Utrecht, as 4 que estão na frente de Eindhoven.
No próprio Tourist Information, vemos o quanto Eindhoven é a Philips

Hoje, muito da economia local já não depende diretamente da gigante eletrônica, apesar de ter prédio da Philips em tudo que é canto, mas se Eindhoven é o principal pólo de IT e informática da Holanda, além de uma cidade universitária, isso se deveu ao ecossistema desenvolvido ao redor da Philips. Mesmo o outro ente mais conhecido da cidade, o PSV Eindhoven (segundo time de futebol do país, onde jogaram Romário e Ronaldo) nada mais é que o Philips Sport Vereniging, ou simplesmente União Esportiva Philips. É o "time da firma".
Adivinhem o nome do estádio do PSV???

Diferente de muitas cidades holandesas, Eindhoven não tem exatamente aquele centrinho histórico, afinal, não era grandes coisas de cidade antigamente. Apesar disso, o centro é bem agradável, com boulevards cheios de lojas e bares. Tem também o Blob, que fica do lado de casa, só não me façam maiores perguntas do porquê isso é assim. Só sei que dentro funciona uma loja de roupas.
A coisa estranha... o prédio no canto esquerdo, acima, é o nosso!!!

Por outro lado, é uma cidade com muito verde muito bem distribuída. É cercada por 3 anéis viários que concentram o trânsito, de forma que mesmo as ruas perto do centro podem ser tranquilas e arborizadas. É uma cidade com muitos parques e zonas bem definidas de comércio, residenciais, etc. O principal parque é o Genneper, que se divide em 3. Uma parte é aquela mais parque, mesmo, com gramados, árvores, alamedas e velhinhos jogando damas.
Trecho onde o Rio Dommel atravessa o Genneper

Ainda no Genneper - vai falar que o pessoal não é econômico?

Mais pro sul, temos um complexo esportivo com campos de futebol, hóquei e golfe, o mini estádio do Eindhoven FC (2a divisão da Holanda), estádio de patinação de velocidade no gelo e um dos mais modernos centros de natação do mundo, que homenageia Pieter van den Hoogenband, bicampeão olímpico dos 100m livre em Sidney e Atenas, que cresceu e treinava na cidade.

Por fim, outra parte é a de entretenimento.Tem uma mini fazenda que vende queijos e vegetais em geral produzidos ali, um moinho de água e um museu histórico ao ar livre. O Historisch Openluchtmuseum é dividido em duas partes: idade antiga e medieval; cada uma com uma reconstrução de uma vila como seria na época e na região de Noord Brabant, sempre com base em escavações arqueológicas reais. Além disso, vários guias/atores ficam pelo museu, caracterizados como na época e realizando as tarefas como tal. Quando fomos, tinha até um cara fabricando tamancos de madeira.
O cara no fundo está fazendo tamancos

Outro museu importante é o Van Abbe, de arte moderna, mas vamos ficar devendo uma avaliação mais abalizada, pois ainda não fomos lá. Ainda no campo das lembranças, em várias partes da cidade há pequenas e singelas homenagens a judeus locais que foram mortos pelos nazistas. Em frente às casas que costumavam morar, há uma pequena placa metálica cravada no chão com o nome da pessoa, data de nascimento, quando foi capturada, o campo que foi enviado e quando morreu. Já vimos isso em frente a uma meia dúzia de casas e a quantidade não é maior porque a região é tradicionalmente católica e a colônia judaica se concentrava em Amsterdam.
A homenagem é pequena, mas é marcante.

A bikes são parte importante da paisagem não apenas de Eindhoven, mas da Holanda. Quase toda a cidade é cortada por ciclovias, senão aquelas feitas na calçada, ao menos um canto demarcado na rua. Ainda assim, onde não é, a preferência é das magrelas. Na estação central dá pra ter uma ideia de quanto se anda de bicicleta, pois é um mar delas.
Um dos estacionamentos. Tem mais dois do outro lado e um subterrâneo.

Com tanta ciclovia e sendo totalmente plana, Eindhoven acaba sendo a cidade dos sonhos de quem é deficiente físico ou tem dificuldade de locomoção. Tem cadeira de rodas elétrica em todo canto e muito mais, ainda, daqueles carrinhos elétricos que o pessoal usa em shoppings. Muita gente que se locomove com muletas usa um desses para grandes distâncias e tenho impressão que é usado até por gente que apenas não quer se cansar - sério, uma vez vimos uma mulher saindo de um desses e não pareceu ter nenhuma dificuldade. Não deixa até de ser bizarro - bacana, porém estranho - dividir a ciclovia com cadeiras de rodas e carrinhos elétricos.
Boliche no meio da rua...

Uma outra atração da cidade são as igrejas. Como falamos, a região é predominantemente católica e fica bem na fronteira entre católicos e protestantes, de forma que é engraçado que uma cidade relativamente pequena - ainda mais até o início do século XX - tenha 3 catedrais enormes: Santa Catarina, São Jorge (Joris) e Sagrado Coração, com uma espécie de monastério anexo. Herança das batalhas religiosas europeias.
Vitral da igreja de Santa Catarina

Outro destaque é a quantidade de restaurantes na cidade. Embora o pessoal não seja chegado em almoço, eles lotam no jantar (em torno das 18h-19h aqui). Italiano, mexicano, indonésio, grego, indiano, tem de tudo e os preços estão longe de serem extorsivos. No Antonio's, um italiano dos mais populares aqui, dá pra ficar na faixa de 30-40 euros o casal, sem vinho. Um restaurante de carnes não sai mais caro que um Outback da vida.

É isso... esperamos que seja mais fácil pra vocês dividirem conosco o que é morar em Eindhoven e nem estranharem tanto quando nos visitarem....

11 maio 2011

Pequenas Esquisitices

Clássico. Sempre que vamos pra outros países notamos pequenas esquisitices - do nosso ponto de vista, que é o que vale, claro! - que fazem parte do aprendizado cultural. Se bem, que convivendo 24x7 com algumas delas, podemos mudar muito nossos hábitos. Certeza que ainda encontraremos muitas mais, mas vão aqui algumas esquisitices holandesas pra vocês:

- Se você aluga o apartamento não-mobiliado, prepare-se para encontra-lo sem nada mesmo. Nem piso! Sério, o pessoal sai e leva seu piso embora, você que traga seu próprio! Fico imaginando o que o cara faz com o piso depois... sim porque nem sempre dá pra reaproveitar. Ô povo muquirana!

- Aliás, se for alugar um semi mobiliado, a diferença é que vem com piso, soquetes sem lâmpadas e cortina. E olhe lá! Se bem que aparelhos de cozinha, todos tem, até os não-mobiliados... vem sem piso, mas com geladeira.

- Por falar em cortina, são gêneros de primeira necessidade. As janelas não possuem persianas, de jeito nenhum. Agora que o verão está chegando, então, uma maravilha: antes das 6 da matina é o solzão entrando pela janela e fica assim até quase 22h. Mas, se tudo der certo, teremos nossas cortinas instaladas no fim de semana.

- Pra fazer suas cortinas, compre os tecidos na feira. Sim, feira! Aqui, até vendem um peixinho e uns legumes, mas feira é pra comprar tecidos, roupas, bolsas, malas de viagem...

- Almoço é uma coisa que não existe aqui. No máximo, comem um sanduba e nem param de trabalhar; é em cima do computador mesmo. E como o pessoal é muquirana, ainda traz o sanduíche de casa. Marmitão total. Refeitório? Tíquete refeição? Microondas? Magina....

- Já que não almoçam, também não precisam escovar os dentes. Acho que os dentistas daqui brigam com as crianças pra escovarem os dentes 2 vezes ao dia.

- O holandês é econômico até pra fazer elevador. Apesar do prédio ter 28 andares, o elevador só tem 10 botões:
Agora, nos digam: como fazer pra chegar no subsolo?

- Leite no café da manhã, no "almoço" e no jantar. Aliás, a qualquer hora do dia e com qualquer coisa. A conclusão é que holandês, se não está bebendo cerveja, está bebendo leite, mesmo.

- Jogar lixo de casa fora não é coisa simples assim: você precisa de um cartão, que se pede na Prefeitura, que serve para abrir as lixeiras. A pergunta é pra que cartão? Não posso simplesmente jogar o lixo na lixeira e boa?

- Roupa de cama aqui é só a capa do edredon e as fronhas. Lençol de baixo - aquele com elásticos - é vendido à parte e o lençol de cima, simplesmente não existe. Em outras palavras, você é obrigado a dormir de edredon, mesmo se tiver o maior calor.

Claro que nem tudo são problemas, tem as esquisitices do bem, aquelas pequenas coisas geniais que melhoram muito a vida do ser humano. Mas, aí é assunto pra outro post...

Um abraço e 3 beijinhos a todos (sim, aqui se cumprimenta com 3 beijinhos...).




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06 maio 2011

O Mercado... O Terror!

Fazer mercado no exterior é uma farra. Pelo menos quando estamos só a turismo, vamos pra comprar salgadinho, cerveja e dar risada das coisas. Lembro no Reveillon em Barbados, que o pessoal comprou um refri chamado Busta; todo mundo rindo... e, se quiserem saber, sim, era uma bosta, mesmo!

Mas vai fazer compra "normal" num lugar onde você entende lhufas! Sério, dá pra sentir como é a vida de um analfabeto. Nem tudo dá pra comprar só "vendo as figuras" como se fosse gibi da Mônica.

Pra começar, aqui você tem que saber onde estão os senhores Albert Heijn e Jan Linders. O Alberto e o João são apenas os mercados locais... claro, tem o Makro (que é daqui, sabia?), mas não vá lá sem cartão, pra não bater com a cara na catraca, coisa que acontece com todo mundo e nem deveríamos comentar aqui.

Você chega na seção de carne, vê uma carninha moída e no rótulo escrito "Vakens". Dá até pra desconfiar, tá muito fácil... e realmente, tem pegadinha: Vakens não é aquela vaquinha holandesa, é porco. Sim, tem lugar onde ralam porco.

E pra comprar mostarda? A França é aqui do lado e lá fazem mostardas tão boas quanto picantes. Não tem aquela mostardinha Cica básica. Aí tem o rótulo com algo totalmente ininteligível, que pode muito bem estar escrito "mostarda picante pra cacete, só pra macho, mesmo" como "mostardinha sussa, que dá pra por na papinha da criança". Daí, véio, só arriscando! Aliás, não abrimos a mostarda, ainda.

Pior é chegar nas prateleiras refrigeradas e achar que tá comprando um Cream Cheese e chegar em casa, encontrar margarina! Pior, sendo que já tinha mandado uma Becel (globalização tem suas vantagens) pro carrinho!

Outra engraçada é comprar banana por unidade. No Brasil, vem em penca, nem contamos quantas tem e ver sujeito saindo com 1 (uma) banana no carrinho é patético. Pelo menos é o que pensamos até ver quanto custa uma mera banana aqui...

Fora os produtos que nem imaginamos existir: azeite de nozes, leite especial para misturar com café, cenouras em conserva, sabão de lava-pratos com secante junto (um lixo, não caiam nessa!), enfim... descobriremos mais ao longo do caminho...

Outras dicas:

- Tenha sempre uma moeda de 1 euro pra liberar os carrinhos. Ou jogue uma conversa na caixa que ela te dá um chaveiro do mercado no mesmo formato da moeda.

- Compre um carrinho de feira, pois os caras cobram pela sacolinha do mercado.

- Embale sempre suas compras MUITO rápido, senão um Flying Dutchman te atropela.

- Tenha dinheiro no bolso, porque no mercado não aceitam cartão de crédito e nosso cartão de débito brazuca não passa aqui.

05 maio 2011

Eindhoven: Dia 3

Terminando o terceiro dia na terra dos tamancos e acho que já dá pra fazer uns comentários esparsos:

- Primeiro alimento ingerido em Eindhoven não poderia deixar de ser uma La Trappe, cerveja trapista feita em um mosteiro a 30km daqui:

- Já a primeira refeição foi um croquete com fritas, que eles juram que é típico daqui, mas que já comi igual na Casa do Alemão, no Rio.

- A bicicleta é o principal meio de transporte da cidade e tem ciclovia em todas as ruas, inclusive os ciclistas tem prioridade até sobre o pedestre. Até aí, beleza. Só não me conformo que lambretas e scooters trafeguem na ciclovia como se fossem uma mobilete. E sem capacete. Fico imaginando um motoboy paulistano que já barbariza na Marginal se viesse pra cá.

- Mas é legal ver que os caras fazem tudo de bike: levam compras, carregam filhos, passeiam com o cachorro, vão pro trabalho e às vezes tudo isso ao mesmo tempo. Anos de prática.

- Uma coisa fantástica aqui é o tal do Media Markt. São 4 andares gigantes com tudo que existe de eletro-eletrônico. De joguinho de Wii a cafeteira, de cabo coaxial a iPad, de fones de ouvido a som automotivo. O melhor são os cestões com liquidações de câmeras, filmadoras, GPS, celular, tudo amontoado como se fosse promoção de paçoca no Extra. Sensacional!

- Toda terça tem feira aqui do lado. Apesar de ter mais roupa, tecidos, bolsas, etc do que comida mesmo pra vender, vale à pena, nem que seja pra bater um peixe frito, a versão deles do pastel de feira.

- As lojas de variedades como a Hema e a Blokker são de variedades, mesmo. Soutien ao lado de martelo, enfeite de bolo ao lado de xícara de café... uma festa.

- Hoje entregaram a TV e a secadora. Horário marcado: 9:00h. Chegaram: 8:57h. Quase igual o Submarino.

- Ainda não me acostumei com os banheiros. Aqui, a parte de banho é uma coisa e a privada é outra, ou seja, temos um banheiro com pia, banheira e chuveiro. Depois um lavabo com privada e pia. O problema é acordar com aquele sono, ir jogar uma água no rosto e a privada não estar do lado para aquele xixizinho matinal. Qualquer dia acabo mijando na banheira.