19 abril 2013

90 Coisas Que Você Precisa Saber Sobre A Holanda e os Holandeses

Depois de um tempinho morando aqui, já deu pra notar algumas diferenças entre nós, brasileiros, e os holandeses. Algumas coisas pra melhor, outras pra pior e ainda outras que são meras curiosidades. Claro que vamos generalizar pra caramba aqui, nem todo mundo é igual no país e, mesmo sendo um país minúsculo, há suas diferenças regionais.
Leia sem compromisso:

  1. A comida nacional da Holanda é o sanduíche. Fazem sanduíche de tudo e comem a qualquer hora. Um almoço típico são 4 sanduíches de pão, 1 (UMA!) fatia de queijo ou outro frio, nunca os dois juntos, e uma pastinha qualquer. Isso é comido aos poucos, entre as 10h e 15h. Tomando leite.
  2. Não existe um prato nacional. Se quiser comer um “prato típico holandês” não achará um restaurante que o sirva. Há restaurante do mundo todo, menos holandês.
  3. Se quiser algo bem típico, vá a uma feira e peça um haring: arenque cru, temperado num molho lá e com cebola picada. Eles comem que nem come-se peixe em desenho animado, pega pelo rabo, levanta o braço e desce em direção à boca.
     Como se deve comer um haring
  4. Horário de pico em restaurantes é entre 18:00h e 18:30h. Pra ser servido, chegue antes das 21:00h. Sem exagero.
  5. O holandês não faz grandes compras de mercado, normalmente vão aos mercados várias vezes na semana e fazem compras pequenas, que dê pra carregar sem problema, na volta do trabalho ou no bagageiro da bike. Logo, não há hipermercados no país.
  6. Quando um bar tem mesas na calçada, se estiver sol, eles fecham o guarda-sol. Se estiver nublado, eles abrem. Depois de ver como o sol é artigo de luxo aqui, entendi o porquê.
    Se tá sol, fecha o guarda sol
  7. Nunca duvide da capacidade de um holandês em economizar uns euros. Não é lenda, nem maledicência de vizinho: holandês É pão duro.
  8. Uma instituição holandesa é a automatiek, vending machines com sanduíches, salgados e frituras em toda parte. Coloca a moeda e abre-se uma portinha pra tirar seu lanche.
  9. Nas férias, existem dois programas básicos para holandês: num, fecham um pacote em um resort (acredite, tem uns muuuuito baratos) nas praias da Espanha ou da Turquia e ficam torrando ao sol, enchendo a cara de cerveja. Noutro, pegam seu trailer, enfiam a molecada, bikes e churrasqueiras dentro; seguem pra um camping na França e ficam lá com outros holandeses, enchendo a cara de cerveja.
  10. Por ser um país pequeno, eles acham inconcebível pegar um carro e dirigir 4 ou 6 horas pra algum lugar e só passar um feriado. Paris está a 4h de carro daqui e muito holandês nunca se dignou a ir até lá.
  11. Nas férias, eles fazem algo muito esperto. As aulas nas escolas terminam de forma escalonada: primeiro no norte, uma semana depois no centro do país e, semana seguinte, no sul. Dessa forma, as estradas não congestionam muito.
  12. Eles acham que têm congestionamento aqui. Precisam pegar uma Marginal Tietê ou uma Avenida Brasil véspera de feriado, caindo uma tempestade, pra aprenderem a não reclamar.
  13. Todo holandês fala inglês. Alguns falam bem e outros falam bem pra caramba. Ainda é muito comum quem fale alemão e/ou francês.
  14. Eles não se ofendem com quem chega falando inglês direto. Ao contrário de outros europeus, eles entendem que você não é obrigado a falar holandês. Inclusive se você arriscar uma frase ou outra em holandês, eles logo mudam pro inglês.
  15. O mesmo não vale pro alemão; mesmo aqui mais perto da fronteira, onde muitos falam a língua, eles não curtem quem chega falando alemão.
  16. Eles detestam os alemães. Dizem que é por causa da 2ª guerra, mas achamos que tem mais a ver com o futebol. Uma grande frustração é que o sentimento não é recíproco: os alemães não estão nem aí.
  17. Nenhum filme ou programa de TV tem seu título traduzido, é sempre original. E nem só do inglês. Compramos um bluray do Tropa de Elite 2 aqui e na caixa estava: Tropa de Elite 2.
  18. Tirando programas infantis, nada é dublado na TV. Alguns programas estrangeiros são legendados; outros, nem isso.
  19. Muito brasileiro fala que furar fila é sinal de subdesenvolvimento. Se for, a Holanda é o Congo. Aqui furam fila na maior cara de pau. O sujeito já se posiciona não atrás de você, mas já meio do lado, numa distância pouco confortável para um estranho ficar. Bobeou, ele corta sua frente, mesmo.
  20. Uma coisa que holandês adora é reclamar: reclamam do tempo, do governo, dos trens, dos preços no mercado, dos hospitais, dos carros, de tudo. Talvez por isso as coisas funcionem.
  21. As pessoas acreditam umas nas outras. Se você chega num lugar e fala “sou o André”, ninguém vai pedir documento, firma autenticada (nem sabem o que é isso), declaração de sei lá o quê... se você falou, tá falado. Sério, quando fomos retirar o carro na concessionária, entramos e saímos sem apresentar um documento, um papel, nada.
  22. Sempre nos perguntam do frio aqui. Olha, o problema não é o frio: é a falta de calor, pois o verão costuma durar uma semana. Isso quando não se passa 4 semanas sem ver o Sol; acontece. O que deprime no inverno é o dia durar das 9h às 16h, apenas.
  23. Acredite, a Holanda tem praias bonitas. OK, não é o litoral do nosso nordeste, mas é bem decente. A água é fria e não faz calor, mas que tem praia, tem.
    Não é tão mau assim...
  24. Como a costa da Holanda é formada por dunas e o país está, em boa parte, abaixo do nível do mar, aqui é o único lugar onde ninguém “desce pra praia”, aqui o pessoal “sobe pra praia”.
  25. Tudo é no diminutivo. Eles usam os diminutivos “tje” ou “sje” (fala-se algo como “tchiê” ou “xiê”) muito mais que usamos “inho” e “inha”.
  26. Eles acham que aqui chove muito. Mentira, chove pouco, mas aquela chuvinha chata que não passa. Não existe aquela concepção de pé d’água que temos no Brasil, que cai o mundo e abre um solzão depois.
  27. Eles gostam muito de tortas doces, a ponto de se servir torta (vlaai) e não bolo nos aniversários. Mas não existe na Holanda aquilo que conhecemos por torta holandesa no Brasil.
  28. Aliás, nos aniversários, eles não cumprimentam apenas o aniversariante, mas toda sua família. Dão parabéns, mesmo, pra todo mundo. Povo doido...
  29. Vendedores raramente ganham comissão. É bem comum você querer comprar um produto e eles indicarem um mais barato, que faça a mesma coisa.
  30. Por outro lado, quando você precisa de um vendedor pra tirar uma dúvida, eles parecem pressentir e somem!
  31. Tirando lojinha de turista em Amsterdam e algumas grandes redes, o comércio fecha às 18h e dane-se. Ainda dão uma lambuja e uma vez por semana tem o koopavond, quando abrem até as 21h. Domingo, exceto um por mês chamado koopzondag, tudo fecha. Realmente, eles não gostam de vender.
  32. Alívio pra uns, pesadelo pra outros: não há nada que se assemelhe a um shopping center.
  33. Prédios e casas não possuem área de lazer. Seja uma piscina, uma quadra ou um parquinho, sempre a área de lazer é pública. Em alguns casos, até escolas, no recreio, usam parquinhos nas ruas pras crianças brincarem.
  34. Ninguém escova os dentes no almoço e acham bizarro quem tem esse hábito.
  35. As janelas não possuem persianas e é comum andarmos nas ruas e vermos o interior das casas, com o pessoal lá, de boa. Mas, com roupa. Se vir uma mulher na janela quase sem roupa, você está no Red Light.
  36. Falando em Red Light, a prostituição não apenas é legalizada, como as moças são registradas na prefeitura, pagam impostos e são obrigadas a apresentar exames de saúde periódicos pra renovar suas licenças. Isso chama-se uma putaria organizada.
  37. Tudo se faz de bicicleta: levam os filhos na escola, carregam compras, falam no celular, carregam a namorada sentada no bagageiro (apesar de estar escrito: limite de 25kg), vão pro trabalho, pra balada ou só passeiam. Tudo ao mesmo tempo e sem capacete.
  38. Ao subir em uma bicicleta, o holandês passa por uma mutação que o impede de respeitar sinal de trânsito, mão de direção, faixa de pedestre e até pedestre. Ainda disparam aquelas buzininhas irritantes: trrrrim... trrrim...
  39. A ciclovia é uma selva: tem bicicleta, bicicleta motorizada, lambreta, mobilete, cadeira de rodas, carrinho elétrico, skate, patins... tem roda e não é carro, tá na ciclovia. Para visitantes: preste mais atenção com ciclovia que com rua, pois se bobear, vai tomar uma bicicletada, mesmo.
  40. Andar de minissaia ou vestido esvoaçante na bike? Sem problemas, ninguém liga.
  41. Todos usam bicicletas. Até o primeiro ministro vai trabalhar de bicicleta de vez em quando.
  42. Eles não são chegados a cumprir leis que não acreditam muito. Exemplo: falaram que os coffeeshops (onde se vende maconha) deveriam controlar a venda apenas pra residentes; o prefeito de Amsterdam disse que não fiscalizaria, pois não teria como; e tudo bem. Outro: se colocam uma placa que não pode parar bicicleta, eles pararão, a não ser que haja um motivo pra isso.
  43. Falando em coffeeshop, lá dentro pode fumar maconha, tudo bem. Mas, se quiser fumar cigarro normal, tem sair e fumar na rua.
  44. Um conceito intraduzível do holandês é o gezelligheid (algo como rezélirraid). É a sensação de estar fazendo algo bom, com boa companhia. Tomar uma cerveja na praça com os amigos é gezellig, patinar com os filhos num canal congelado é gezellig, por aí vai. Eles gostam de apreciar as coisas simples e boas da vida.
    Praticando Gezelligheid
  45. Pouco se vê o pessoal usando marcas importantes de roupas e carros para ostentação. Pelo contrário, fazem questão que você ache que são mais pobres do que realmente são.
  46. O status do holandês não está no dinheiro, está na árvore genealógica: um belo sobrenome e antepassados 100% holandeses são mais símbolos de status que qualquer marca.
  47. Eles são os reis do “faça você mesmo”. De mudança de casa a instalação de pisos, um holandês só contrata um profissional em casos extremos.
  48. O verdadeiro teste pra ver se alguém é holandês chama-se Drop. É uma balinha preta, ruim pra cacete, meio salgada, meio doce e que só quem come desde o berço gosta. Eles devoram toneladas de Drop anualmente e nenhum estrangeiro se acostuma com isso.
  49. Adoram fritura, a ponto do mercado vender galões de 5 litros de óleo pra fritura e nem as lanchonetes disfarçarem: essas de vender tranqueira chamam-se Frituur, mesmo.
  50. Apesar de comerem muita fritura, doce e pão, o holandês é um povo magro. Difícil ver holandês gordo, mas quando se vê é gordo gordo, mesmo. Holandês “gordinho” não existe.
  51. Comem batata frita com tudo, é o acompanhamento universal. Quem viu Pulp Fiction, sabe: com muita maionese. Muita. E cebola picada. Só não comem batata frita tomando cerveja. Quando sentam pra tomar cerveja, normalmente não comem, exceção eventual ao bitterballen, bolinhas fritas de carne com um recheio cremoso. Não pergunte o que tem nele.
    Fritjes met mayo
                                                                          
  52. É um povo bem honesto no geral – embora haja suas exceções. Por exemplo, se o cara sai um pouco mais cedo do trabalho num belo dia de sol para uma cerveja na praça, ele não precisa matar a avó ou inventar um dentista. Ele avisa que vai sair mais cedo pra tomar uma e pronto.
  53. O holandês quase não faz hora extra, bem raro, mas nas horas que fica no escritório, ele é de uma produtividade incrível: não fica indo no cafezinho, fofocando no corredor e ainda come em cima do computador. São 8 horas de trabalho, mesmo.
  54. Na hora de tomar um café no meio do expediente, há umas bandejinhas para copos nos departamentos, pra não perder tempo. Quem levantar primeiro leva a bandeja e trás café pros outros.
  55. Um holandês não olha pra você na rua. Pode passar um sujeito de terno roxo com bolinhas amarelas ou uma gostosa de minissaia, ele não perde o foco da caminhada. Se tomar uma trombada ou um atropelo de um holandês na rua, ele não te viu, mesmo.
  56. Se vir alguém com camisa de time de futebol na rua, das duas, uma: ou é gringo ou é dia de jogo. Eles não usam camisas de futebol num dia comum.
  57. Sabe aquela regrinha de convivência de esperar as pessoas saírem do elevador ou do trem? Aqui não vale. Na saída do trem sempre há uma parede de pessoas tem impedindo e, no caso do elevador, elas entram antes de você sair. Tome cuidado pra não ficar lá dentro.
  58. Deve ser o país com o maior percentual de carros conversíveis, mesmo quase não fazendo sol. Ou, apesar disso, afinal quando faz sol, eles não querem desperdiçar um segundo de fotossíntese.
  59. Eles adoram se intrometer na sua vida. Se perguntarem quanto você ganha, quanto você paga de aluguel ou se você tem certeza que vai comprar algo tão caro, não ligue, não é por maldade. Eles são assim.
  60. Todo mundo, 100% dos holandeses, atende o telefone com o próprio nome. Não existe uma tradução para “Alô”. Ou fala direto o nome ou “met (nome)”. Met significa “com”.
  61. Obrigatoriamente, por lei mesmo, holandês só tem um sobrenome. Pode ser do pai ou da mãe, mas só pode ser um. Em compensação, têm 3, 4, 5 nomes.
  62. Quem não é da província da Holanda, como aqui em Eindhoven, fica puto se falamos Holanda (Holland) em vez de Países Baixos (Nederland). Mas, na hora de torcer pra seleção deles, todos gritam “Hup, Holland!”.
  63. Perto de bares ou lugares de muito movimento sempre tem mictórios públicos, mas só na versão masculina. Um totem de plástico com 4 lados e um buraquinho no meio. Vai, melhor que mijar na parede da sua casa.
  64. Guardanapo de papel é artigo de luxo. Quando vem, vem um. Sim, comem tudo direto com as mãos e não necessariamente lavadas.
  65. Políticos costumam ser jovens, é muito comum ver o pessoal mesmo em altos cargos na casa dos 30 ou 40 anos. Ao contrário do Brasil eles têm uma profissão e muitas vezes voltam a ser professores, advogados ou médicos após cumprirem seu mandato.
  66. A família real mora em Haia. O primeiro ministro despacha em Haia. O parlamento fica em Haia. O Judiciário está em Haia. As embaixadas estrangeiras, todas em Haia. A capital do país é... Amsterdam.
  67. Terra é algo bem escasso na Holanda. Em volta das cidades é bem comum ver tipo uma fazendinha comunitária: cada um aluga um terreninho que não deve ter mais de 50 ou 100 m2, faz um quartinho de ferramentas e planta sua horta ou canteirinho de flores. Chegam pela manhã, brincam um pouco de fazendinha e voltam pra casa.
  68. Nada deixa um holandês mais doido que as palavras natuurijs schaatsen, ou patinar em gelo natural. No inverno, com lagos e canais congelados, eles saem todos de casa pra patinar o dia todo. Com a família toda, até com mães empurrando carrinhos de bebê no gelo.
    Schaatsen...
  69. Alguns lugares possuem uma privada bem estranha. A aguinha fica bem na frente e atrás é tipo uma bandeja. Se você tiver feito número dois, a resposta é sim, ele fica lá na bandejinha te esperando. Diz a lenda que os locais inspecionam sua obra, mas reluto em acreditar.
    Tranquilo... a de casa não é assim, não.
  70. Falando nisso, quase toda casa, mesmo as maiores, só possuem uma privada, uma “casinha” que é, inclusive, separada do resto do banheiro.
  71. A tiazinha do banheiro é uma tradição meio anacrônica. A maioria dos banheiros públicos é paga e, pra isso, tem uma tiazinha na entrada, com um pires de moedas. Ela dá uma limpadinha (no banheiro, entenda-se) de vez em quando e passa o dia lá, sentada.
  72. Não estranhe se uma mulher entrar pra limpar o banheiro masculino ou um homem for limpar o banheiro feminino. Aja naturalmente.
  73. Nada, nada é mais chato que os draaiorgel. Uns mega realejos, do tamanho de um trailer, que eles param no meio do caminho, no centro das cidades tocando uma música pentelha e os bonequinhos dançando. Até aí vai, mas o pior é que ficam uns 3 ou 4 caras com uma caneca de metal com moedas, chacoalhando no ritmo da música, de forma que só o que você ouve são as moedas chacoalhando. Dá vontade de perguntar: “se eu puser uma moeda, você para?”.
  74. O holandês não é tão exigente em termo de cerveja, como um belga, mas é bem bairrista. No sul, o pessoal bebe mais as cervejas do sul: Bavaria e Dommelsch. Em Amsterdam, quase só se acha Heineken e Amstel.
  75. No calor (quando aparece), eles curtem também um vinho rosé ou branco. Até aí, beleza... mas precisa colocar uma pedra de gelo na taça?
  76. Uma pessoa sozinha em um trem consegue ocupar 4 lugares com uma rapidez incrível.
  77. Existem dois tipos de trem: o expresso, que só para nas principais estações e o pinga-pinga que para em todas. O expresso chama-se InterCity e o pinga-pinga chama-se Sprinter. Não faria mais sentido o contrário?
  78. Trens na Holanda atrasam vez ou outra. Se o trem for pra Bélgica, vez ou outra estará no horário.
  79. O holandês, quando viaja de avião, faz questão de levar sua bagagem de mão numa indefectível sacola azul do Albert Heijn, o principal mercado daqui. Outra sacola não serve, tem que ser do AH. Deve ser pra marcar território, mostrar que é holandês, sei lá.
    A onipresente sacola azul do AH: mais necessária que passaporte
  80. Há muito senso de igualdade entre as pessoas, o cara não se julga – nem é julgado – mais ou menos que alguém pela profissão ou pela posição social. Se o cara é médico, engenheiro, garçom ou zelador, todos se tratam igualmente e isso funciona nas duas mãos: alguém, em tese, “mais humilde” não abaixa a cabeça pra falar com o “dotô”, assim como o “dotô” não vai destratar o outro que o serve.
  81. Tudo se faz via carta. Resetou sua senha num site oficial? Te mandam a nova pelo correio. Seu hollerith (contracheque) chega pelo correio. Qualquer procedimento que se faça com o governo, o próximo passo é sempre esperar uma carta. Comunicação do banco? Correio. E nada daquelas cartas que se dobra o papel e tem que picotar as margens. Não, tudo com envelope, selo e o caramba. Ainda bem que o correio funciona.
  82. Na sua caixa de correio, dá pra colocar um adesivo falando se você que receber material não solicitado, como propagandas. Nem todo mundo respeita, mas a verdade é que recebemos bem pouca coisa destinada “ao morador” ou só jogada lá.
  83. Uma ótima é poder escolher no caixa eletrônico quais cédulas você quer receber no seu saque.
  84. Tudo se paga no cartão de débito, o chamado Pin. De feirante a barraquinha de comida, o verbo mais conjugado é Pinnen. Cheque é algo inexistente.
    Preferimos Pin que dinheiro
  85. Especialmente no trabalho, eles são muito diretos e não possuem nenhum tato. Se achar que um holandês foi rude, ele provavelmente foi, mas saiba que não é pessoal.
  86. Sabe chocolate granulado e confeitos em geral que colocamos nos bolos? Holandeses – crianças e adultos – colocam sobre o pão e comem no café da manhã. Essa iguaria chama-se hagelslag.
  87. Holandeses realmente amam tulipas. Outras flores também, mas nada supera as tulipas.
  88. Escadas são sempre íngremes e estreitas. A piada é que “escada” em holandês é trap, igual “armadilha” em inglês.
  89. Pra um holandês convidar alguém pra ir à sua casa, é um evento formal.
  90. Tirando as de cervejas, creio que aqui se façam as piores e mais toscas propagandas que existem.

29 março 2013

Voando de Low Fare


          Durante muitos anos o trem foi quase monopólio nas viagens que se faziam dentro do continente. Quem vinha do Brasil pra cá usava a estrada de ferro ou, eventualmente, alugava um carro pra se deslocar de cidade em cidade. De uns anos pra cá, tem ficado cada vez mais popular pegar voos de companhias chamadas Low Fare ou Low Cost, que oferecem passagens, muitas vezes, mais baratas que as de trem e cobrindo distâncias maiores.

Isso muda muito o jeito de se planejar uma viagem pela Europa, pois já não é necessário seguir uma linearidade no roteiro, nem aproveitar trechos, encaixando cidades que talvez não se visitasse. Voando, é possível alterar totalmente o foco da viagem, pulando das praias da Espanha para o frio da Polônia, facinho, facinho. Some a isso o encarecimento que o transporte ferroviário teve nos últimos anos e vemos uma explosão de ofertas de voos para as mais diversas cidades da Europa.

Mas, as Low Fare estão longe de ser a oitava maravilha para o viajante. Se não tomar cuidado, muita dor de cabeça e custos extras podem ferrar com sua viagem. Só que estamos aqui pra ajuda-lo a lidar com essa bagaça.


O Barato Pode Sair Caro

O preço da tarifa chama a atenção, mas se você começar a somar os custos acessórios pode chegar a pagar mais que se fosse, digamos, de trem. Mesmo comparando voos com companhias aéreas comuns, a coisa pode encarecer, veja o porquê:

1 - Bagagem: em Low Fare só é permitido um volume de bagagem de mão, com 10kg no máximo. Bagagem despachada pode custar de € 10 a até € 40, por volume, dependendo do peso, da companhia e do trecho que se está voando. E eles são chatos com isso – afinal, é onde ganham dinheiro... – especialmente com permitir apenas 1 volume. Vale o alerta, em particular, para as mulheres que costumam viajar com sua bolsa a tiracolo e mais uma mala: não pode, um volume é um volume.
Peso, é mais difícil conferirem, mas acontece. Tamanho, sempre têm daqueles gabaritos de metal com o tamanho permitido e é bem comum pedirem pra verificar. Já vimos, em Londres, sujeito socando a mala até caber no gabarito e depois quase não conseguir tirar de lá.

2 - Distância do Aeroporto: muitas Low Fares usam aeroportos secundários, inclusive alguns que eram bases aéreas desativadas, que construíram um terminal. Ou seja, muitas vezes esses aeroportos são distantes da cidade de destino e paga-se um bom dinheiro pra se chegar ao centro. Sempre há shuttle fazendo o serviço, mas some aí uns € 15 ou € 25, dependendo do caso. Pesquise antes.
Por exemplo, o aeroporto de Weeze, que fica na Alemanha quase divisa com a Holanda, é vendido como Düsseldorf, mas fica a quase 80km do seu centro; sendo que Düsseldorf tem seu aeroporto. É como viajar pra São Paulo achando que vai pousar em Congonhas e chegar em Viracopos.
Na lista abaixo, alguns exemplos desses truques, com a cidade-base, o nome do aeroporto vendido e a distância efetiva entre eles.
         - Düsseldorf (Weeze): 78km
         - Frankfurt (Hahn): 124km, é quase em Luxemburgo!
         - Barcelona (Girona): 95km
- Barcelona (Tarragona/Reus): 105km
- Bruxelas (Charleroi): 60km
- Paris (Beauvais): 90km
- Paris (Vatry/Disneyland): 162km (Mesmo da EuroDisney, são 124km!)
- Estocolmo (Skavsta): 106km
- Estocolmo (Vasteras): 104km
- Londres (Stansted): 66km
- Milão (Bérgamo): 55km
- Munique (Memmingen): 117km
- Oslo (Moss/Rygge): 70km

Todas essas cidades possuem seus aeroportos principais que são mais próximos do centro. Algumas Low Fare voam também para esses aeroportos principais, então, fique atento.

3 - Tudo paga: qualquer coisinha a mais, paga taxa. Fazer o pagamento no cartão de crédito, paga. Check in no aeroporto, paga (tem que fazer pela internet e levar o cartão de embarque impresso). Reservar assento, paga. Prioridade no embarque, paga. Lanche no avião, paga. Água no avião, paga. Na RyanAir chegam até a vender raspadinhas e calendários das aeromoças de lingerie, pra reforçar a receita.


Como Achar Bons Preços

Boa parte dos voos Low Fare é consumida pelo pessoal daqui, de forma que quanto mais você fugir de horários óbvios, melhor. Tipo, sair numa sexta-feira ou domingo à noite, esquece. Alta temporada (junho a agosto), também complica. Procura naqueles horários, tipo quarta-feira, no meio da tarde ou no começo da manhã, que a probabilidade de bons preços melhora.

Aqui, elas funcionam como qualquer cia aérea: possuem 3 níveis de preços. X passagens baratas; acabou, Y passagens a preços médios; acabou, Z passagens mais caras. Portanto, quanto mais antecedência, melhor. Fora isso, pode ficar dando uma olhada nos sites das empresas, pra ver alguma oferta de última hora, mas aí, vai ter que ir pra onde tem, não pra onde você quer.

Com a devida antecedência e sorte, porém, dá pra achar voos por menos de € 30, cada perna, sem maiores transtornos.


Praticidade

Já falamos dos aeroportos mais distantes, então, prepare-se para somar uma hora ou mais na chegada ou na saída, caso seu aeroporto seja daqueles mais distantes. Nesse ponto, o trem leva uma vantagem pois, apesar da viagem em si ser mais longa, além das estações ferroviárias serem mais centrais, dá pra chegar 5 minutos antes do trem sair e embarcar. Aeroporto, já viu: pelo menos 1:30h ou 2:00h de antecedência.

Agora, as Low Fare ganham em termos de praticidade das Aéreas normais na compra de passagens descasadas. Nas Low Fare compra-se cada perna independente das demais. Pode ir por uma, voltar por outra ou seguir viagem pra outro lugar, sem problemas. Não tem nem desconto se comprar ida e volta casada, portanto, compre as pernas sempre separadamente.


Quem são?

Existem várias companhias Low Fare operando no continente; algumas independentes, outras são subsidiárias de Cias normais. Uma desvantagem das independentes é a falta de garantia e suporte ao cliente. Normalmente, o serviço é uma porcaria e o passageiro que se dane. Certa vez a Ryan Air nos largou em Hahn a 300km de onde deveríamos descer (Weeze) à 1:00h da madruga, pois Weeze havia fechado. Não nos deram transporte, comida, hospedagem, porra nenhuma e só saímos de lá às 7:30h, depois de dormir, no chão, na frente do balcão de Check In. Pergunta se alguém deu alguma satisfação? Numa subsidiária, pelo menos, tem pra quem reclamar.

Vamos a algumas dessas companhias. Se estiver um (Ind) após o nome, trata-se de uma Cia independente. Caso seja uma subsidiária, tem o nome da companhia mãe entre parêntesis.

- Air Berlin (Ind): curioso que esta trabalha no sistema “normal” ou no Low Fare, dependendo da passagem que você comprar.
- Air Europa (Ind)
- Air One (Alitalia)
- ArkeFly / TUIFly (Ind): é uma operadora de turismo, normalmente os voos são casados com seus pacotes
- Brussels Airlines (Ind)
- EasyJet (Ind)
- Flybe (Ind)
- Germanwings (Lufthansa)
- Hop! (Air France)
- Jet2 (Ind)
- Ryan Air (Ind): a maior e benchmarking na area. Lixo de serviço, mas é barata.
- Smart Wings (Ind)
- Transavia (KLM)
- Vueling (Iberia)
- Wizz Air (Ind): opera basicamente Leste Europeu


Dicas Finais

Resumindo, o que precisa saber pra voar Low Fare:

- Não saia comprando Low Fare direto. Faça sempre uma comparação Aérea normal X Aérea Low Fare X Trem. E pense não só no preço, mas em praticidade, tempo de deslocamento e conforto.

-Sim, conforto. Algumas Low Fare apertam tudo e a distância entre bancos é mínima. Em alguns casos, como na Ryan Air, o assento nem reclina por causa disso. Num voo de 1h, beleza, mas pegamos um de 4h pra Marrakech que foi um suplício.

- Via de regra, pegar um voo – seja normal ou Low Fare – vale a pena para distâncias a partir de 400 ou 500km, em termos de tempo de viagem e preço. Menos que isso, o terrestre tende a ser mais vantajoso.

- Uma exceção costuma ser a Inglaterra, pois várias empresas Low Fare têm hub lá. Somado a isso, o trem (Eurostar) é carinho e o Ferry, demorado.

- Pense bem na sua bagagem antes de vir pra cá. Voos do Brasil têm uma franquia de 2 malas de 32kg e carregar isso em Low Fare é inviável. Pelos valores adicionais de bagagem, o ideal é, no máximo, uma mala de 20kg e uma de mão, até 10kg.


É isso: planeje bem e Boa Viagem!

Tot ziens!

23 janeiro 2013

Guia Prático de Holandês for Dummies


Depois de um ano e meio morando na Holanda, vamos nos arriscar a dar umas dicas da língua, embora ainda não a tenhamos aprendido. Não é necessário aprender holandês para vir para cá, pois 99,99% das pessoas fala inglês e não se importa em falar. Portanto, esse Guia não é de frases para viajantes conseguirem ser entendidos, mas, especialmente para as coisas escritas, ajuda saber umas coisinhas.

Além da Holanda, o holandês é falado com uma pequena variação (o flamengo) no norte da Bélgica, na região de Flandres, que compreende cidades como Brugge (Bruges), Gent e Antuérpia. Bruxelas é uma cidade bilíngue francês/flamengo. A diferença entre o flamengo e o holandês é apenas na pronúncia e em algumas palavras, de forma que são mais próximos entre si, do que é o português de Brasil em relação ao de Portugal.


PRONÚNCIA - O holandês tem muito de inglês e alemão no seu vocabulário. Para quem fala essas duas línguas, uma dica: a palavras puxadas pro alemão costumam ser parecidas na escrita, mas muito diferente na pronúncia. Com as puxadas pro inglês, ocorre o inverso, não tem nada a ver escrito, mas pronuncia-se quase igual (ex: o número 5 escreve-se vijf e pronuncia-se "faif").

Vogais: o que vale notar são os encontros vocálicos, onde o som das letras muda bastante. Nas normais, atenção com o U, que assim como o U francês, faz biquinho.

AA- Á, bem aberto.
EE- ÉI, aberto. Cuidado: NÃO se pronuncia "ii" como em inglês
IE - esse sim, é como o "ee" inglês, com som de "ii"
EU - IU, com biquinho no U. Esse é o erro número 1 de quem fala alemão.
OO- Ó, bem aberto.
OU - AU
UI - AU, também.
UU - U com biquinho e mais alongado
OE - esse sim, tem som de "U", seco, tanto que Ucrânia escreve-se Oekraine em holandês.
EI - AI. Alguns lugares falam mais fechado, quase um "ÊI", mesmo.
IJ - também tem som de "AI". O "IJ" é considerado uma letra única, como o "LL" espanhol, tanto que palavras que começa com IJ, as duas vão pro maiúsculo quando necessário, como IJmulden (cidade próxima a Amsterdam). Muitas vezes é escrito à mão como ÿ (um y com trema, como se fosse um i e j grudados). Também algumas palavras, como o time de futebol do Feyenoord, já trocam direto o "IJ" por "Y". Eles morrem de orgulho desse IJ, como se fosse a identidade da língua holandesa.

Muitas vezes escrevem o IJ junto quase como um "U". Slijterij é loja de bebidas.
Se a vogal tiver um trema, significa que o encontro vocálico não deve ser lido como os ditongos acima, mas com os sons delas separados. Ex: Brazilië pronuncia-se Brasiliê, não Brasilii.

Exemplo pego da Wiki com a frase de como se usa o "ij" e o "y" em  ijsfrij (ice free) yoghurt.


Consoantes: a maioria fala igual português, então vou escrever apenas as exceções.

G - Aqui, ferrou! Você nunca vai pronunciar certo essa bagaça e é o responsável pelo holandês se parecer com uma língua de Orcs. É como se fosse um "RR" bem arranhando na garganta. As exceções são no "NG" que se parece quase como um "NH" português e em algumas palavras de origem francesa, onde têm som de "J", como Horloge (relógio). O CH é mais ou menos o mesmo.
SCH - aproveitando a deixa, pois é um pouco pior que o G. Aliás é como o G acima, precedido de um S. "Schip" (navio) pronuncia-se algo como "Srrip", mas com esse RR bem arranhado na garganta. É tão difícil que "Scheveningen" (distrito praiano de Haia) era usada como senha pela resistência holandesa na 2a Guerra, contra alemães infiltrados.

Estátua em Scheveningen, com boneco comendo um Haring (arenque cru) como os holandeses

H - um som de R bem mais seco, mais ou menos como quando inicia palavra no inglês.
J - I
R - dependendo de onde você estiver não estranhe se ouvir o som do "ar" inglês. Varia de acordo com o sotaque da região.
V - F
W - é como uma mistura de V e F. Na dúvida, fala com som de V, que tudo bem.


VOCABULÁRIO ÚTIL:

Não vamos colocar frases feitas, tipo "olá, eu me chamo André. Qual seu nome?", pois esse tipo de coisa você faz em inglês. Vamos focar naquelas palavrinhas pra você ser simpático no dia a dia e em outras que são importantes de se saber pra lidar com o holandês escrito. Se eles falarem em holandês, não tente entender: não é pra amadores. E responda em inglês mesmo "sorry, I don't speak Dutch". Todos entendem e ninguém se ofende, pois eles têm noção que ninguém é obrigado a saber holandês.

Oi: Hij, Hallo
Tchau: doei (dui). Tanto oi como pra tchau, usam muito daag. Também usam “doei, doei!”, como falamos “tchau, tchau!”, mas aí são mais as mulheres que falam assim.
Até logo: tot ziens, tot straks ou tot zo, se o “logo” for ainda no mesmo dia.
Bom dia / tarde / noite: goedemorgen, goedemiddag, goedenavond (evening), goedenacht (night)
Obrigado: dank u, dank u wel, bedankt
Por favor: alstublieft, alsjeblieft. Escrito, comumente abrevia-se AUB. Também usado muito por garçons e caixas como um "aqui está".
De nada: graag (impossível explicar como pronuncia). Na verdade, graag significa um monte de coisa, de 'por favor' a 'com prazer...'
Desculpa: Sorry (pronuncia-se mais como um brasileiro que um inglês falando)
Com licença: Pardon
Sim: Ja
Não: Nee (nei)

De 1 a 10: éen, twee, drie, vier, vijf, zes, zeven, acht, negen, tien (ein, tvei, dri, fier, faif, zés, zêive, arrt, nêirre, tin). Agora, o que ferra são os números acima de 21. Assim como os alemães, eles falam ao contrário, ou seja, um 65 vira vijfenzestig. Quer dizer: vijf (cinco) en (e) zestig (sessenta). 

O problema é que eles se confundem direto na hora de falar números em inglês. Uma vez, num caixa de loja, a mulher me passa o valor em inglês: ninety three (93) euros. Pensei "caceta! Não gastei tudo isso!". Olhei no monitor e o valor certo era 39, mas ela inverteu as bolas.

Horas! Aqui ferrou, explicar como eles falam é uma tese de doutorado. Primeiro que, assim como alemão, a "meia hora" significa a hora que vai se completar. Como assim? Exemplo: 5:30h, nós falamos cinco e meia (hora). Os holandeses falam "halfzes" literalmente "meia seis", ou seja estamos na metade da sexta hora, que será completada às 6:00h.

Difícil? Então, calma... um 5:25h, eles falam "vijf voor halfzes", ou cinco para a meia seis. um mero 5:40h vira tien over halfzes, dez após a meia seis. isso que ainda usam kwartier (quarto) para 15 minutos. Resumo: é um rolo tão grande que ao confirmar as horas com um holandês (se tiver um compromisso ou um horário marcado), confirme uma, duas, três vezes, mesmo em inglês. Assim como os números, muitos se enrolam todos na tradução.

Ou aprende de criança, ou desencana.

Dias da semana, começando do domingo: Zondag, Maandag, Dinsdag, Woensdag, Donderdag, Vrijdag, Zaterdag
Hoje: vandaag
Hoje à noite: vanavond
Amanhã: morgen (aliás, manhã também é morgen)
Ontem: gisteren
Semana: week
Fim de semana: weekend

Norte: Noord
Sul: Zuid (zaud)
Leste: Oost.
Oeste: West
Direita: rechts
Esquerda: links

Não se confunda com a bússola daqui, o "O" é Leste, não Oeste...
Ou: of. Essa é pra enganar quem fala inglês, mesmo.
De: van
E (conjunção): en
Mas: maar
Com: met
Também: ook
Artigos definidos: De ou Het, depende da palavra. Het costuma se abreviar 't com o apóstrofe, mesmo. Muito usado em nome de bares e restaurantes. Pode se falar direto como "t" ou "het" mesmo. A cervejaria 't IJ em Amsterdam (IJ é o rio que passa ao norte de AMS) fala-se "tái" ou “ret ái”.
Um/uma (artigo indefinido): een
Isso: deze, dit
Aquilo: die, dat
Aqui: hier

Brauerai Tái!
Tempo: tijd
Hora: uur
Agora: nu
Sempre: altijd
Ônibus: bus
Trem: trein
Bonde: tram
Linha: lijn
Atenção: Let Op, Pas Op
Até: tot. Quando falam, por exemplo “de segunda até sexta”, eles usam “tot en met”, ou seja, de segunda até sexta, inclusive. Eles abreviam esse “tot en met” como t/m e é isso o que você vê em várias placas de rua.

Loja: winkel
Horário de abertura: Openingstijden
Saída: Uit (fala quase igual o "out" inglês), uitgang
Entrada: Ingang
Aberto: Open
Fechado: Gesloten
Empurre: Duwen
Puxe: Trekken
Dinheiro: geld
Cartão de débito: pin
“Bilhete Único”: OV-chipkaart, é o cartão válido em todos os meios de transporte da Holanda, em todas as cidades.
Desconto: korting
Liquidação: várias palavras, como, uitverkoop, op=op (op is op) ou sale, importado do inglês. Se estiver Alles Moet Weg, o negócio é sério, queima total de estoque

Rua: straat
Praça: plein
Avenida: avenue
Ponte: brug
Canal: gracht
Casa: huis
Cidade: stad, gemeente (mais no sentido de município)
País: land

Cerveja: bier ou biertje (biirtxe), que é o diminutivo cervejinha, usado em 99% das vezes. Sempre que terminarem a palavra com je, tje ou sje é diminutivo, que eles usam muito mais que usamos nosso "inho". Tira fora pra tentar enteder o que é.

Mag ik een biertje? - Note a garrafa fala "Brugge" (a cidade de Bruges) e o copo Brugse (algo como 'Brugense', quem é de Bruges). Esse "-se" no fim normalmente indica o adjetivo de origem.
Quente: warm (é várm, não uórm...)
Frio: koud
Gelado: ijskoud
Gelo / Sorvete: ijs (mais uma que pronuncia igual inglês: ice)
Café: koffie. Pra tomar café, vá a um "Café" ou “Eetcafé”. Coffeeshop é onde vende maconha!
Água: water. No popular, pra pedir água mineral, eles pedem Spa Blauw (sem gás) ou Spa Rood (com gás). Spa é a marca de água mais popular aqui e sim, tem a mesma origem do Spa de beleza ou do circuito de Spa Francorchamps: a cidade belga de Spa. A Spa sem gás tem um rótulo azul (blauw) e a com gás, é vermelha (rood).
Refrigerante: frisdrank
Carne (geral): vlees
Bovino: rund
Peixe: vis
Porco: varkens
Frango: kip
Sanduíche: boterham, broodje (literalmente, significa pãozinho, mas usam pra sanduba)
Queijo: kaas
Presunto: ham
Atum: tonijn
Ovo: ei
Batata: aardapel
Torta (doce): vlaai

Bom, como dissemos, isso não pretende ser um curso de holandês, mas ajuda quem viajar pra cá a se assustar um pouco menos...

Tot ziens!

08 dezembro 2012

Roteiro Trapista - Resumo Final

Bom, depois de tanta coisa, vamos fazer um resumo geral do que aconteceu. Primeiro, só alguns detalhes sobre abadias que foram revisitadas e que gostaríamos de atualizar:


La Trappe

Como é uma que fica pertinho e tem um ótimo restaurante, quase toda visita que vem aqui, levamos lá, de forma que sempre tem coisa nova.

Primeiro, tínhamos falado que almoçar mesmo lá que não valeria muito a pena. Esquece: a comida é muito boa e os preços bem razoáveis, na casa dos € 12 a € 15 por prato. A sugestão é o cozido flamengo (Flemish Stew), um picadinho feito na cerveja e servido com fritas. Aliás, todos os pratos vêm com sugestão de melhor harmonização com cerveja.

Os Jardins de La Trappe, pelo menos, o comecinho

Sobre as cervejas produzidas lá, duas novidades: as conhecidas Isid’Or e Quadrupel possuem versões Oak Aged, como o nome diz, envelhecidas em barris de carvalho, no caso, antigos barris de destilaria de whisky, que deixam a cerveja com um aroma mais defumado e um gosto muito diferente. São carinhas (€ 9,50 a garrafa pequena), mas vale uma tentativa. Das duas, preferi a Isid’Or.

A igreja de La Trappe. Foi bombardeada na 2a Guerra, pois a abadia foi palco de uma batalha da Op. Market Garden

Por fim, essa foi sem querer, quando nossa amiga Clara nos visitou no começo de setembro. Entre final de agosto e começo de setembro, várias atrações turísticas na Holanda fazem um “Open Day” e permitem visitas a lugares normalmente restritos. E foi o que aconteceu, na sorte total, os jardins estavam abertos pra visitação.

O monge guia

Assim, nada do outro mundo, mas é interessante. A visita era guiada por um dos monges de La Trappe e em holandês, mas conseguíamos ajuda de outros visitantes, que traduziam pra gente. A parte mais interessante era do cemitério dos monges que fica em um canto do terreno que era uma fronteira tripla de municípios, de forma que tinha monge enterrado em 3 cidades diferentes, o que dava dor de cabeça pra eles. Precisaram mudar as divisas em alguns metros pra acertar tudo.

Parte do descanso final dos monges

O lado ruim é que estava lotado e com espera pra conseguir uma mesa; refeição, nem pensar. Muita gente que só queria uma cervejinha acabava tomando no gramado, mesmo.


Orval

Voltamos a Orval no dia que passamos por Chimay e Rochefort e por dois motivos: não visitamos a parte de exposição da primeira vez, por falta de tempo, e a Carol precisava comprar mais da melhor geleia que já comeu. Infelizmente, a geleia não tinha mais.


Inverno...
Foi interessante pra ver no verão aquilo que só vimos no inverno, passar com mais calma pelo pequeno museu da história de Orval (lembre-se, eles estão lá há quase 1000 anos, entre destruições e reconstruções).

Verão...
E, claro, passamos pela pequena exposição que há onde contam um pouco sobre fabricação de cerveja, sobre a história da cervejaria, umas partes multimídia e aquelas coisas que mais ou menos tem em outros lugares. Simples, mas bem feitinho. Enfim, a estrela da visita continua sendo as ruínas da antiga catedral.

Pessoa se divertindo nas telinhas (notaram que é um tanque de fermentação?)
Mas, há novidades! Lembra que falamos que não havia bar / restaurante lá? Então, agora tem! Na verdade, quando fomos da primeira vez, ele já existia, mas estava fechado. O À l’Ange Gardien fica fora da abadia, uns 200m antes de chegar. Não é tão charmoso quanto os de La Trappe ou Chimay, mas completa a visita, sem dúvidas.

A foto não é nossa, mas o bar é esse.

Roteiro Ideal

E pra quem quer fazer essa visita, quais as recomendações? Bom, vamos tentar dar umas dicas rápidas para você montar seu roteiro:

1-      Pode cortar duas abadias: Westmalle e Rochefort. A não ser que tenha feito promessa a São Benedito de passar pelas 7, Westmalle só tem um restaurante bem sem graça e Rochefort, nem isso.

2-      Para as 5 restantes, por uma questão de distância e horário (não quer visitar uma cervejaria trapista às 9h da manhã, certo?), a sugestão é demorar 3 dias, afinal, são 750km no total, dando a volta na Bélgica.

É um certo rolê, sim.
3-      Tem que ser de carro. Muitas abadias estão em cidades que não tem trem e todas estão fora do centro, provavelmente sem transporte público.

4-      Saindo de Bruges, por exemplo, Westvleteren fica a 70km de distância. Uma passada pelo ótimo In De Vrede, saborear a Blonde, a 8 e a 12 in loco. Pro mesmo dia, o que falamos no post anterior, emende uma visita à cidadezinha de Ieper (Yprés) para um ótimo tour sobre 1ª Guerra. O centrinho também é bem bacana. De noitinha, parta pra Chimay: 180km.

Antigas Orvais

5-      No segundo dia, faça Chimay e Orval. Comece por Chimay, pois dá pra aproveitar a manhã conhecendo a cidade e com tempo de chegar para a missa cantada pelos monges, das 11h às 12h. Saindo de lá, visita e almoço no Auberge de Poteaupré. Próxima parada, Orval, a 116km. Cuidado com os horários de visita, pois Orval tem bastante o que ver, mas dá tempo de ainda terminar com uma cervejinha de fim de tarde por lá. Daí, a maior estirada da viagem: 240km pra Achel.

Não é dentro de Orval, mas é do lado

6-      Em Achel, aproveite pra fazer boas compras de cervejas (uma das melhores lojas do país), tomar uma cervejinha apenas e deixe pra almoçar na La Trappe, já na Holanda. São apenas 56km entre as duas. Se quiser terminar em uma cidade turística, de Tilburg (onde fica a La Trappe) até Antuérpia, são 74km.

No final do tour, a iluminação divina em La Trappe


Como assim, 10 trapistas?

Todo esse tempo estamos aqui falando das 7 trapistas pra cá, 7 trapistas pra lá, mas o mundo gira. Se eram 7 no início da brincadeira, hoje já são 8 as cervejarias trapistas oficiais.

Desde 1º de agosto último está no mercado a Gregorius, uma Tripel com 9,7% de graduação alcoólica, fabricada na abadia de Engelszell, na Áustria, fronteira com a Alemanha. A cidade é bem fora de mão, de forma que não vamos prometer uma visita, OK? Se estivermos de bobeira na região, pode ser.

Logo depois, veio a Benno, uma Dubbel clara, de 7%, o segundo produto dos monges austríacos e assim como a Gregorius, nomeada em homenagem a um antigo prior da abadia. Por enquanto, ambas só são vendidas no local e na loja virtual, mas já anunciaram que exportarão até pros EUA.

Plantação de lúpulo na La Trappe

Tem outra cerveja, a caminho de ser a nona trapista. A Mont des Cats é feita pela abadia de mesmo nome, localizada bem no norte da França, numa região chamada Flandres Francesa, cuja língua oficial é o flamengo, pertinho de Westvleteren, meros 22km.

A cerveja já é feita, já está no mercado, a abadia de Mont des Cats é trapista, membro da International Trappist Association, carrega no rótulo o nome de Bière Trappiste e o responsável pela sua confecção é um monge. O que falta para ser oficialmente trapista?

Devidamente degustada, numa taça emprestada da sua irmã Rochefort

Bem, ela não é fabricada dentro da abadia. Mont des Cats deixou de ter uma cervejaria no início do século XX quando o monge cervejeiro morreu e ela é fabricada em outra abadia trapista, Chimay. Dizem até que ela lembra muito a Chimay Dubbel, mas sei lá, não tem uma Chimay aqui pra comparar. A Mont des Cats só levará o selo de Authentic Trappist Product quando for feita dentro da própria abadia, mas ainda não há planos para tanto.

Oito, nove, e a décima? A décima ainda está no campo dos boatos, mas a Abadia de Maria Toevlucht, na cidade de Zundert, sul da Holanda – aliás, já notaram que todas as abadias ficam perto de fronteira?  – tornou-se membro da ITA no início de 2012 anunciando que investiria na montagem de uma cervejaria dentro de suas paredes.

As primeiras notícias davam conta que estaria no mercado no fim desse ano, mas até agora, nada.


Avaliação Final

Não poderíamos terminar essa aventura sem uma avaliação, certo? Então, decidimos alguns critérios e demos notas para cada uma das 7 cervejarias, com a favorita em cada um e as notas para chegar à melhor. Vamos lá:

- Bar: empate entre La Trappe e Chimay, ambos em lugares bem agradáveis, com ótima comida, degustação de cerveja e que valem a visita.

- Loja: não é a mais bonitinha, não é a mais arrumada, pelo contrário, parece um mercadinho de interior, com direito a carrinho de compras e prateleiras com sabão em pó. Mas, estamos falando de cerveja aqui e nos fundos do mercadinho de Achel esconde quase que um galpão com mais de 100 rótulos de cerveja à venda, além dos copos de quase todas. E o melhor: preços bem camaradas.

Brincando de cervejeiro na visita de Orval

- Visita: considerando atrações, tour e tudo que você pode visitar, Orval ganha mesmo sem ter um tour organizado como La Trappe.

- Local: considerando aqui, a beleza e todo o entorno, mais um ponto para Orval e suas ruínas imbatíveis.

Uma geral de Orval
- Cerveja: afinal, viemos aqui pra quê? E a votação ficou difícil, com um tríplice empate. Minha favorita, individualmente, é a Orval. A Westvleteren classifica junto por fazer duas cervejas tão diferentes e tão especiais como a 8 e a 12. Completando a lista, vamos pela quantidade: a La Trappe fazer 10 cervejas diferentes, incluindo a sensacional Isid’Or Oak Aged, que não fica a dever pra nenhuma.


Bar
Loja
Visita
Local
Cerveja
Média
Achel
3
5
0
3
3
         2,8
Chimay
5
3
4
4
4
         4,0
La Trappe
5
4
4
4
5
         4,4
Orval
4
3
5
5
5
         4,4
Rochefort
0
0
0
1
4
         1,0
Westmalle
3
2
0
1
4
         2,0
Westvleteren
4
3
0
3
5
         3,0

Claro que temos mais um empate! Afinal, temos que ter assunto pra discutir na mesa do bar, né?

Bom, o capítulo trapista encerra por aqui, pelo menos por enquanto... tot ziens!